E ao quarto dia descansei…
Nunca me tinha acontecido ir ao cinema três dias consecutivos. Não que não tivesse tido vontade ou oportunidade para o fazer, no passado. Claro que tive. Vezes demais, até! Mas por uma razão ou por outra, nunca me tinha acontecido. (Na verdade, sou uma pessoa ocupada!) Esta semana, contudo, depois do ‘tal' jejum de quase dois meses, choveram convites para promissoras sessões de cinema. Isto aconteceu porque o pessoal é incapazes de saborear o privilégio de uma visita solitária ao cinema e todos sabem que eu não sei responder ‘não’ a um convite para ver um filme no grande ecrã. Sendo assim, lá fui fazendo sacrifícios! (E ficando mais pobre$!)

Na segunda-feira, a Pikinina mandou um sms inesperado: ‘Queres ir ver um filme?’ Eu fiz-me de difícil e disse que não sabia se ia dar. Óbvio que ia dar! E se não desse, eu ia arranjar maneira de dar! ‘Julie & Julia’, de Nora Ephron, foi a fita escolhida (por ela). Duas palavras resumem o essencial a dizer sobre este filme: MERYL STREEP! Na minha opinião, trata-se de mais uma enorme interpretação daquela que para muitos é melhor actriz actualmente no activo. Meryl Streep é Julia Child, cozinheira e autora de um famoso livro de culinária americano. Sim, Meryl Streep é! Ela não parece que é. Ela não finge que é. Ela é! Por si só, a incrível participação desta actriz justifica uma ida ao cinema e torna supérfluo tudo o resto que poderia ser dito sobre o filme. Mesmo assim, posso acrescentar que ‘Julie & Julia’ é uma espécie de drama biográfico, com um bocadinho de comédia, que conta a história de duas mulheres em espaços e épocas diferentes, unidas pela vontade, o sonho e, claro, a manteiga!

Na terça-feira, o ‘tal’ amigo cinéfilo do último post mandou um sms simples e conciso: ‘Proposta. Hoje, cinema alternativo no Saldanha.’ Ora, eu sou pessoa que gosta de arriscar nos ‘alternativos’. Disse logo que sim! De quando em quando, embarco num ‘alternativo’ e, às vezes, sou surpreendida por obras de arte raras, deliciosas, só para audazes como nós. Desta vez, ao contrário do que é usual, estava completamente às cegas, somente sabia o nome da fita (‘Moon’), porque me pareceu ajuizado perguntar. De resto, mais nada, nem sequer a nacionalidade do filme! Sem dúvida um tiro no escuro!
Pois é, pessoal, ‘Moon’, do britânico Duncan Jones, foi realmente ‘alternativo’, com o melhor que o adjectivo pode significar. Excelente ficção científica, apraz dizer! O filme ocorre num futuro próximo, no qual a maioria da energia utilizada nas actividades humanas é produzida na Lua. A totalidade da acção ocorre precisamente no nosso satélite natural, num complexo espacial ‘aparentemente’ tripulado por apenas um indivíduo, Sam Bell (interpretado por Sam Rockwell). Como eu não fazia ideia qual era o tema (clonagem de seres humanos), o desenrolar dos acontecimentos foi surpreendente. Na verdade, creio que este é o tipo de filme no qual nunca é óbvio onde o autor quer chegar e se sente que qualquer coisa é possível. Sim, é inquietante, mas nunca chega a ser incoerente ou disparatado.
Entretanto, fui ao IMBD, a base de dados de filmes da internet, e descobri que ‘Moon’ venceu vários prémios em festivais internacionais de cinema. Não me espanta. Mesmo nada!

Na quarta-feira foi o meu outro amigo cinéfilo (vou chamá-lo cinéfilo 2, em futuras publicações) que propôs uma visita ao cinema. Para falar verdade, ele mandou-me sms na terça-feira, quando eu ia a caminho do Saldanha, ver o ‘Moon’. O amigo cinéfilo de terça-feira (este pode ser o cinéfilo 1) juntou-se a nós e acabou por ser uma coisa a três. Lá fomos, desta vez para o Alvaláxia, displicentemente, sem ideia daquilo que queríamos ver. Acabou por ser o cinéfilo 1 a escolher a película: ‘The Brothers Bloom’, de Rian Johnson. E foi… Como dizer!? Enfim, foi do pior! Custa-me sinceramente gastar palavras em tamanho desperdício de tempo. Acho que ‘aquilo’ é primariamente uma comédia ou, pelo menos, tenta ser. Sinceramente, nem sei como explicar o que há de errado. Acho que a história é entediante, as piadas não funcionam e as tentativas dramáticas são frustradas. Nem sequer a razão que levou o meu colega a escolher este filme, interpretes de qualidade reconhecida (Adien Brody, Rachel Weisz e Mark Ruffalo), parece suficiente para recomendar ‘isto’ a alguém. Lamentável.
E ao quarto dia descansei!
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