AVATAR, de James Cameron: Expectativas gigantescas foram criadas! (A industria (também) depende disso!) A especulação foi enorme e alguns disseram que iriamos assistir a uma revolução do mundo do cinema e ser transportados para uma aventura tecnológica nunca antes vista. Dez anos foi o tempo que o filme demorou a ser preparado e até criaram uma câmara especial! (Estes loucos!) Eu quis entusiasmar-me infantilmente porque tinha saudades desse sentimento inocente. Tenho visto muitos filmes e estou a ficar progressivamente mais incapaz de ser surpreendida e insuportavelmente mais exigente. Felizmente, acho eu, acabei por ser bem sucedida nessa tentativa de me auto-animar. Tenho quase a certeza de que estava feliz quando paguei os dois bilhetes (um para mim, outro para o cinéfilo 1). Recebemos uns óculos especiais para visão 3D antes de entrarmos na sala. A lotação estava esgotada. A plateia era maioritariamente jovem. O assento era confortável. A companhia era agradável. Bolas, estava tudo perfeito!
Neste filme, um avatar (conceito já conhecido dos jogos cibernéticos) é uma projecção material (corpórea) do indivíduo num mundo diferente, concebido para permitir a interacção da espécie humana com a espécie Na’vi. Metaforicamente, apetece-me dizer que é uma espécie de alter-ego (outro eu). Mas qualquer análise figurada será forçada e inútil. Não acredito que Cameron quisesse complicar. Afinal, é uma grande produção de Hollywood, o objectivo é entreter e não confundir o grande público. E, verdade seja dita, o génio apostou muito na tecnologia, mas descorou claramente o argumento. (Não surpreende!) A história de AVATAR não é propriamente original. Bem vistas as coisas, este filme tem um pouco de ‘The Last Samorai’ («O Último Samurai»), ‘Planet of the Apes’ («O Planeta dos Macacos») e ‘The Lord of the Rings’ («O Senhor dos Anéis»). Isto tudo numa roupagem muito new age e ambientalista. Citando o meu amigo cinéfilo, James Cameron oferece-nos um cocktail de clichés característicos do cinema americano comercial contemporâneo. Sim, é um bocado irritante, mas perdoável se tivermos em conta o espantoso (e extenso) espectáculo visual e sonoro!
Sinto-me obrigada a acrescentar que, num filme que ameaça tornar os actores obsoletos, um dos aspectos mais agradáveis foi o regresso de Sigourney Weaver às produções para as grandes massas. Ela tinha andado desaparecida dos circuitos comerciais…
PS: Agora que cheira a férias, desejo que se lembrem de ir ao cinema, porque, quem sabe, podem encontrar o filme que estavam à procura. Ou então, podem passar algumas horas muito simpáticas, longe daquilo que interessa. E, enfim, isso pode ser um presente muito especial (basta arranjar a companhia certa)!
Cumprimentos e bom Natal.

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