A do Michael Bolton eram as arias, a minha fica-se pela leitura. Mais em pormenor: pelos livros fininhos (sim, aqueles com menos de 200 páginas, não tenho muita paciência para calhamaços embora fique bem dizer que o último livro que se leu tem pelo menos 500 páginas (anotamento mental: matéria para outro post)).
Mas voltando à minha leitura...
Deixei de ler compulsivamente ou de ficar noites acordada a ler com o ínicio da vida profissional. Hoje o meu ritual de leitura resume-se a meia hora de manhã enquanto bebo o café da praxe e espero pela hora de começar a trabalhar, é a chamada meia hora egoísta (rezo a todos os santinhos para que ninguém me perturbe). Como o livro acaba por andar aos trambolhões no carro (que nisso sou como o Paulo Coelho e gosto de livros gastos e com marcas de uso, mostra que realmente acompanhou a pessoa durante algum tempo) escolhi um mais pequeno. Ora pequeno é sinónimo de Luís Sepúlveda.
Comecei a ler este autor mesmo por serem livros pequenos e pelo o título invulgar do livro que me encheu o olho: "Histórias de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar". Este foi o primeiro livro de uma paixão que me enche as prateleiras cá de casa. Já perdi a conta aos livros dele que li, guardo religiosamente o livro autografado e fico encantada pelo homem que escreve com a alma, com o amor à pátria e às histórias.
Esta semana acabei de ler "A sombra do que fomos", 160 páginas que reúnem uma história impecável e uma mensagem que não deve ser ignorada e que não precisa de mais uma linha que seja para ser transmitida. Esta é uma história sobre os chilenos que foram militantes de esquerda durante o regime de Pinochet, uma escolha que os leva ao exílio retornando anos depois à pátria. Reúnem-se 35 anos depois para "executar uma arrojada acção revolucionária.", e mais não digo.
Nunca confies na memória porque está sempre do nosso lado:
suaviza a atrocidade, dulcifica a amargura, pões luz onde só houve sombras. A
memória tende sempre à ficção.
See you soon.
A minha visão da literatura é bem diferente daquela que tenho do cinema, por isso é-me difícil comentá-la.
ResponderExcluirO cinema dá-me prazer pelo simples facto de ser cinema, ou seja, por todas as experiências e dimensões integradas que o constituem. O gosto que retiro do cinema vai para lá da história que eventualmente é contada.
Já um livro dá-me prazer apenas pela forma como o seu conteúdo me envolve. O livro pode ser artisticamente muito bom ou pode ter sido criado por um génio da escrita, mas nada disso me faz lê-lo!
Acho que é por isso que a minha «cena» é mais o cinema.
PS. Já li a «A História de uma Gaivota e...» do Sepúlveda. Grande conto!