Apesar de a ‘vida real’ correr, infernal, lá fora, digam o que disserem, excepto naqueles casos francamente patológicos, há sempre tempo para esconder a ‘alma’ na ficção e depois (dias depois) fazer um ‘post’ sobre isso.
Na última quinta-feira de estreias, impus ‘A Estrada’ (originalmente, ‘The Road’, de John Hillcoat) ao cinéfilo 1. Geralmente não sou eu a lançar o nome do filme da semana, mas desta vez a escolha parecia-me óbvia. As opções não eram muitas e, depois de ‘Sherlock Holmes’, apetecia-me algo a sério. Havia também o facto de naqueles primeiros dias de trabalho na função pública, eu estar envolta numa névoa de incredulidade. Isso deve ter-me atraído para este filme sombrio, para esta história singular, cuja total compreensão temo não estar ao meu alcance. Infelizmente, receber um ordenado no fim do mês não nos torna mais capazes.
Quando nós saímos de um filme em silêncio perplexo e esse silêncio dura mais do que seria socialmente aceitável, isso só pode significar uma de três coisas: foi demasiado mau; foi demasiado bom; não percebemos nada! Neste caso, houve silêncio, sim senhor, e cá para mim deve ter sido pela última razão. Em conversa posterior com o cinéfilo 1, acabei por inventar uma nova categoria de filmes, na qual consegui encaixar este ‘A Estrada’ na perfeição: categoria ‘Filmes Ponto de Interrogação Ponto de Exclamação’, abreviado temos, ‘Filmes ?!’. Desta categoria fazem parte todos aqueles filmes cujo argumento me perturba (visceralmente) por sentir que me é impossível de todo abarcar toda a verdade que dele emana. No fundo, são aqueles filmes que me recolocam num patamar inferior de evolução cognitivo-emocional. ‘Youth Without Youth’, de Francis Coppola, ‘Donnie Darko’, de Richard Kelly, e ‘No Country for Old Man’, de Ethan e Joel Coen, são exemplos de filmes que rapidamente colocaria nesta nova categoria. Estranho é pensar que todas estas películas mereceriam da minha parte notas elevadas numa qualquer escala de avaliação. Se calhar, temos tendência a sobrevalorizar aquilo que não conseguimos entender inteiramente…
Deste filme ficou-me: O silêncio e o monte de palavras que não foram ditas de propósito; A composição poética das cenas que não notei até o cinéfilo 1 me garantir que este era um filme poético (Tudo o que vi foi crueza triste, em câmara lenta.); A angustia e o tédio de estar a ver e não estar a ‘ver’ nada; A necessidade absurda de querer saber detalhes supérfluos (O que é que se passou de facto no Planeta Terra?), só para esconder a minha incompetência intelectual e emocional.
Em suma, é um filme com interpretações superiores, planos de filmagem esteticamente muito bons e uma história…
Enfim, Cormac McCarrthy (responsável pelo argumento deste filme e do ‘No Country for Old Man’) não está bem! Vejam!


Ora vamos lá ver se nos entendemos... Vejam?? Vejam??
ResponderExcluirSe eu bem me lembro o que tu me disseste foi "Não é filme para ti" e agora vejam? Mas o que é que os são a mais do que eu?
ai, ai...
:)
Pronto, eu devia ter especificado: Vejam todos, menos a Celine [ela sabe porquê]. - Estou a brincar!
ResponderExcluirAmanhã, CINEMA de grupo!!!