
O cinéfilo 2 regressou à capital por uns dias. Coitado, vinha ávido de poluição, fast food e, claro, cinema. No serão de domingo, cravou-me para uma visita às salas do campo pequeno. Vimos mais um filme nomeado, desta vez com sotaque britânico: ‘An Education’, da realizadora (natural da Dinamarca) Lone Scherfig. Infelizmente, foi tudo tão à pressa, tão cheio de intrusões de «vida real», tão sem o deleite de outros serões, que não sorvi nem metade daquilo que o filme teria para oferecer. Há distância de uns dias, destaco o argumento linear, a realização sóbria, sem adulterações complexas e desnecessárias, e as interpretações controladas e assertivas. Num qualquer dia de inspiração, ‘An Education’ daria para dissertações variadas sobre o percurso social/educacional de um Ser Humano que se quer feliz. Contudo, num qualquer dia de inspiração, era bem capaz de concluir que o caminho para a felicidade é o caminho para a sala de cinema mais próxima… e ainda era acusada de ostentar um discurso abusivamente redutor e infeliz. [Risos]
Terça-feira

A semana prometia ser agressiva e penosa. (E foi.) Felizmente, na terça-feira, deixei-me convencer pelo meu parceiro habitual de cinema em relação a assuntos urgentes como: o cartão de cinema Medeia e a teoria de que precisávamos de visionar um filme ligeiro para apreciarmos melhor os nomeados para os Óscares. Então, exactamente por esta ordem, fomos fazer o nosso cartão de cinema ao Saldanha e partimos para o Alvaláxia, onde passava o filme «light» ‘Percy Jackson & the Olympians: The Lightning Thief’. [Que otários somos nós!] Reparem que arranjámos um cartão de cinema Medeia e fomos ver um filme numa sala Zon Lusomundo! Enfim, apesar destas incoerências com repercussões económicas, o filme acabou por ser tudo aquilo que precisávamos. Deram-nos quase duas horas de aventura fantástica muito do estilo Harry Potter (mas sem feiticeiros) e, no fim, alegrem-se os céus e a terra, venceram «os bons», sem espinha. [Não devia ter dito isto. Desculpem lá.] Ora, mas uma vez que estou com uma diarreia de palavras, acrescento que os personagens protagonistas são semi-deuses com poderes mitológicos clássicos. «Cool», não é!? [Risos]
Quinta-feira

No final da tarde de quinta, fizemos uso do novo cartão. O cinéfilo 1 desabafou com um sorriso largo: «Agora já não é preciso ir ao multibanco levantar a nota antes de ir ao cinema». Eu concordei, como é óbvio. Para quem consome cinema como se a sua vida dependesse disso, este cartão é um achado! Cedemos quinze euros mensais por débito directo e temos direito a ver grátis até 2 filmes todos os dias. [Doentio] Bem, quanto à fita, apostámos no inevitável novo filme de Tim Burton. Fantasia mais ironia subtil mais humor negro. (Percebe-se logo quando tem o dedo de Burton, não é? Poucos têm esta capacidade natural de serem inconfundíveis.) Vimos a ‘Alice no País das Maravilhas’ em 3D digital e foi um gozo. Na minha opinião, brilhou Helena Bonham Carter, a rainha de copas, que voltou a destilar talento e, claro, Johnny Depp, que deve estar para Tim Burton como o Dicaprio está para Scorsese.
Agora tenho de terminar, sem terminar realmente, porque uma semana só termina quando a próxima começa…
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