sexta-feira, 4 de junho de 2010

Strike 1

O início foi confuso, estranho para dizer o menos. Sentia-se o medo na sua timidez e nas suas poucas falas. Monosílabos e frases curtas eram constante na sua conversa face à fala descontraída e imparável das suas colegas. Mãos nos bolsos, ombros encolhidos e um ar que não deixava dúvidas: ela ainda não tinha bem certeza do que estava ali a fazer, só sabia que tinha dito que ia.

Primeira paragem e uma pequena vitória. Os ombros começavam a endireitar-se e as suas colegas começam a respirar fundo: "Talvez não esteja tudo perdido", pensavam entre olhares cúmplices.

Na segunda, o espanto pelo momento de extravagância completamente inesperado mas certeiro. Sem pressões mas com dúvidas, muitas dúvidas, avançou e levou a extravagância até ao fim. Faltavam poucas horas para a ouvir dizer que começava a afeiçoar-se, nesse momento o limite tinha sido ultrapassado.

Era necessário parar, equilibrar as energias e descansar. O rio espreitava pelo outro lado da janela e a conversa continuava animada entre as três embora quem tivesse de fora pudesse pensar que nada de bom poderia sair dali. Palavra puxa palavra, umas parvoices pelo meio e as energias voltavam ao seu lugar com um almoço reparador. A comida faz milagres.



Continuou-se para o que estava estipulado, não era tempo de retroceder afinal aquela viagem tinha um objectivo muito claro que ainda não estava totalmente cumprido. Segunda volta e tudo começa a andar na corda bamba. Do nervosismo inicial ela parte para os insultos simulados em piada e graçolas que visavam, unica e exclusivamente, atacar as suas colegas. O receio da mudança fazia com que cambaleasse entre o bem e o mal. Elas não se deram por vencidas, não havia insulto que as deitasse abaixo aquela era uma questão superior a qualquer outra.

Rendeu-se às evidências e deixou-se ir: soltou as amarras, cortou com as cordas que a prendiam e superou limites que nunca ninguém pensou serem possíveis. Assentiu em muito para que se calassem e a deixassem ir embora mas, no fundo, algo mudara e o espelho reflectia uma pessoa que ansiava por transparecer aquilo que era: uma mulher culta, citadina, intelectual e interessante.

Arrumou-se o assunto como só as mulheres sabem arrumar: com chocolate, muito chocolate. Uns cupcakes mais tarde e dava-se o dia por encerrado com um sorriso nos lábios e a certeza de que tinha sido bom, muito bom e que ali à nossa frente estava a nossa menina tão crescida.



Nota: tudo isto refere-se à mudança de visual realizada por mim e pela Pikinina na OffTimeGirl. Mas ainda falta mais.


Adorei o dia meninas, precisamos de mais dias assim: "girlies" :)

See you soon

2 comentários:

  1. «(...)uma mulher culta, citadina, intelectual e interessante(...)»

    Eu não teria dito melhor.

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  2. A mais pura das verdades no meu ponto de vista que eu não ando a distribuir nem insultos baratos, nem elogios só porque sim.

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