
Sou fascinada pela mente humana e pela sua complexidade. A linha que separa a lucidez da demência é tão ténue que me assusta e às vezes é só a questão de saber o que é real. Mas a realidade talvez seja um conceito tão complexo e utópico como a felicidade.
É altamente duvidoso que os meus dois filmes preferidos deste ano sejam com o Leonardo Dicaprio e que as personagens que ele interpreta em cada partilhem uma base tão semelhante: um homem dividido por eventos do seu passado que tenta recuperar a sua vida e vive entre a realidade e a ilusão. Mas a verdade é que Leonardo Dicaprio aprendeu a escolher a dedo os filmes em que participa e, nos últimos anos, arrisca em projectos com argumento, com personagens vividas e complexas. Nos últimos anos, ele tornou-se actor sem dúvida.
A origem é um filme que testa os espectadores, que nos leva a pensar nos nossos sonhos, no nosso subconsciente e que nos leva numa viagem que testa a nossa inteligência e a nossa capacidade de nos deixarmos levar por um filme.

Com cenas de uma magnitude impressonante (a cidade que se dobra sobre ela mesma, uma luta sem força de gravidade) e três realidades descoordenadas temporalmente que se conjungam plenamente no final da viagem num climáx forte e visualmente bem conseguido (as cenas de câmara lenta são crediveis e encaixam plenamente no filme). E esse final é tudo: simplesmente acaba sem explicações detalhadas, sem uma grande verdade no final, sem nenhum "ah, afinal é isto", sem reduzir a inteligência do espectador. Acaba deixando apenas em aberto o final para o espectador e a questão sobre o que é que podemos dizer que é real.
Um argumento desafiante e inteligente, com um realizador sem medo de arriscar, um filme que mostra-se inteligente sem medo de ser renegado por isso mesmo e com um elenco em que Leonardo Dicaprio é apenas um grande actor no meio de um elenco de iguais.
Um filme para ver e rever, para reparar em todos os pormenores e mais alguns e para ficar a pensar muito depois de as luzes da sala já estarem acesas.
Em conversa com a OffTimeGirl a caminho do Alentejo profundo (:)), e ainda antes do filme estrear, comentei com ela que este filme não ia ser de meios termos: ou era muito bom ou fiasco tremendo. Não me enganei. Este é um filme de extremos, mas de extremos muito bom.
É de ver e saborear, deixem-se levar e disfrutem do que o cinema tem de melhor: a capacidade de nos levar para outras realidades e de nos deixar envolver com o próprio filme. Podiamos ser nós ali, podíamos porque todos nos vamos identificar com a fraqueza do sonho, com as dúvidas existencias.
É verdade: a Ellen Page promete.
See you soon. :)
Olha, não consigo recordar-me do nome do centro comercial. Sei que ficava na primeira perpendicular, logo a seguir à Chinatown, como quem vai para a Casa Branca. De qualquer modo, era só para dizer que foi nesse centro comercial, em Washington DC, que visionei ‘o novo’ do Nolan. Sozinha, porque o pessoal estava fatigado e, admitamos, ninguém acha que uma ida ao cinema no país dos filmes pode valer 11 dólares. Para mim, vale… sobretudo se a sala está cheia de entusiasmo e existe uma fila interessante nas bilheteiras. Nem me lembro a última vez que tive de esperar numa fila para arranjar um bilhete de cinema em Portugal… A sala estava mesmo à pinha e fiquei num lugar menos bom. Isso não me afectou. Estava fora de mim com a improbabilidade daquele acontecimento de vida. Neste contexto, o filme aplicava-se na perfeição ao meu estado mental. Is this real?!
ResponderExcluirNo dia seguinte, escrevi umas linhas sobre a minha opinião do filme, num bloco de notas, mas perdi essas folhas. Que conveniente! Mas é justo dizer que não saberia fazer melhor análise do que aquela que apresentaste. Deixa-me acrescentar que Nolan é dos melhores a fabricar acção para o grande ecrã. ‘Memento’, de 2000, é um filme muito interessante. Porém, foi o último Batman que me convenceu de vez. (Foi o melhor filme de acção do Verão de há dois anos.) Assim, a qualidade de ‘Inception’ não me surpreendeu...