sábado, 16 de outubro de 2010

Cinema anti-depressivo

Da maneira que isto está, se não me meto a pau, sou bem capaz de apanhar uma daquelas coisas dos nervos, que me vejo parva! Ora, eles estão em todo lado, gente triste e descontente, a mendigar um anti-depressivo. Uma pessoa acaba por perceber e tem medo. Isto não está bem, não senhor! É por isso que me perdi, como sempre, na ficção em ecrã XXL. Três dias, três filmes. E, se não fosse cá por coisas (laborais), hoje era outro. Não me venham com acusações precipitadas, que cada um usa o mecanismo de defesa que pode ou, raramente, que lhe convém.



Deixem-me começar pelo último, que está mais fresco. ‘The town’ (‘A cidade’). Ben Affleck como realizador e protagonista. Para todos os efeitos (comerciais), é o filme da semana. Custa-me ser negativamente crítica, porque, como dizer, parece-me um esforço sério e profissional de fazer algo com qualidade, mas… Certo, começar pelo positivo: Em vários momentos, o filme é muito bom. Por exemplo, a mítica cena do cinema americano de acção, a perseguição de carro pelas ruas da cidade, foi muito bem conseguida neste filme. As interpretações foram, fora as excepções, robustas e o argumento, ele próprio, está acima da média do comercial americano. Certo. Tudo bem. Mas (e, se calhar, o ‘mas’ é apenas uma questão de expectativas), a tensão emocional que o argumento prometia, nunca se concretizou, talvez pela ineficácia do par protagonista ou simplesmente porque não dava para mais. Sobretudo a personagem feminina principal, interpretada por Rebecca Hall, nunca foi além da frouxidão, apresentando uma escassez de ‘chama’ que me incomodou. Culpa de quem? Não sei. O problema é que estas coisas contam para mim, mesmo num filme que privilegie a acção. Daí a insatisfação, o ‘mas’! Certo?



Na quarta-feira, foi dia de cinema solitário (não por minha culpa) e em espanhol. ‘[REC]2’ Em Lisboa, mesmo Lisboa, só estão a passar esta sequela nas salas Zon-Lusomundo do Alvaláxia, pelo que regressei ao Campo Grande depois de algum tempo. Fiquei impressionada com a quantidade de publicidade que esta distribuidora de cinema passa antes do respectivo filme. Sinceramente, foi a coisa mais impressionante da noite! Noutros tempos, passavam trailers de filmes em exibição ou a caminho. Agora passam um, com sorte dois trailers, e depois dez a quinze minutos de publicidade. Que me desculpem os louváveis ‘profissionais do reclame’, mas gostava mais quando eram só trailers. Pronto, eu compreendo, é uma questão de negócio, só que é chato para caramba! E o filme? Bem, vai assustando, aqui e ali, se a audiência estiver para aí virada. Género ingrato, o terror!



É pá, o melhor foi mesmo o primeiro filme da semana. Em Portugal, responde pelo nome ‘Uma família moderna’ (no original italiano, ‘Mine vaganti’), de Ferzan Ozpetek. Não dá para colocar em palavras o gozo que esta comédia tende a induzir na audiência. Está muito bem feito. Cenas do outro mundo, sobretudo aquelas que se passam à mesa! Conta a história das idiossincrasias (como diz o outro que pensa que sabe falar) de uma família tradicional italiana, com a homossexualidade em destaque. A prova de que temas banais ou banalizados podem ser reinventados, haja talento e inspiração! Enfim, os italianos teimam em ser os melhores no Mundo a fazer cinema de comédia. Deixai-os!

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