
Eu andei a achar que podia escrever um texto sobre política. Uma coisa inteligente e mordaz. Uma coisa fora do esquema. Isto desde há mês e meio. No fundo, desde que Portugal descobriu que havia uma crise. ‘Inside Job’, o meu primeiro documentário no grande ecrã, agudizou esta tara. A verdade é que toda a gente tem opinião sobre tudo, como dizia Alvim. Não admira que até eu tenha algo para dizer.
Vamos lá, ‘Inside Job’ deu-me, pelo menos, alguma perspectiva da complexidade desse mundo financeiro onde uma estranha minoria joga com dinheiro que nunca ninguém viu. Como alguém disse, é um documentário interpretativo e, consequentemente, especulativo. (Especulativo, tem piada!) Para começar, quero admitir o sentimento de estupidez que me preencheu quando tentaram explicar a crise de 2008, na América. É que não sei mais de economia e finanças do que aquilo que o senso comum, um colega liberal e o Eixo do Mal me têm emprestado. Bancos de investimento, seguradoras e agências de rating, numa amalgama louca. Tudo condimentado pela famigerada especulação sem ordem, cavalo de batalha de gente séria anti-liberal e (mais ou menos) socialista. E outras tantas confusões técnicas que ninguém está à espera que eu explique ou saiba mesmo nomear.
Posso, contudo, deixar escapar a minha admiração por tamanha capacidade de arranjar esquemas para multiplicar dinheiro. Não estou a brincar, não de todo! Esses Senhores de Wall Street são gente genial. E, claro, o liberalismo ou capitalismo económico (sei lá o nome que lhe dão) é toda uma ideologia orientada pela criatividade e genialidade do Ser Humano. Não é de admirar que os Senhores se sintam horrorizados com as ideias de regulação (ordem) dos tais esquemas engenhosos. Faz todo o sentido. Que raio de mente acabrunhada quer domesticar a criatividade?
O liberalismo económico é uma coisa mesmo magnífica. Cada um a fazer o seu melhor, a competir num mercado livre e justo. Na verdade, em termos de magnificência filosófica, o liberalismo é tão harmonioso como o socialismo (da igualdade e da fraternidade). Parece-me, mesmo habitando no pântano da minha ignorância, que ambas as linhas de pensamento são dignas de total reverência intelectual. Acredito piamente que foi tudo pensado com honestidade. Mas depois, na prática, tudo vai falhando, cedo ou tarde. O fascismo não resulta. O socialismo não resulta. O liberalismo, pelos vistos, não resulta.
A minha teoria não é bem minha. Já devo ter escutado isto em algum lado e, entretanto, maturei a ideia. Cá vai: o busílis, isto é, a falha do sistema é, evidentemente, as pessoas. Seja qual for o sistema! Por exemplo, o liberalismo seria perfeito se a ganância dos Senhores não atingisse o limite da tolerância da própria ideologia. Qualquer ideologia exige ao Ser Humano um conjunto de características básicas para ser viável. Digo, só para ilustrar: responsabilidade moral. Mas o Homem é imprevisível (leia-se, um pulha) e, por isso, qualquer sistema está em perigo.
Não confundir este texto com alguma forma de pessimismo humanista. Não! Pode ser que isto seja puro devaneio. Pode ser que o problema do liberalismo/capitalismo económico seja tão simples quanto encontrar a porção ideal de regulação. Sim! Pode ser! Controlo e castigo, avante! Confiar, nunca!
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