Comprei 4 chocolates ‘snickers’. Comi 3 e tive a decência de oferecer um à Pikinina. Estou triste e irritada e provavelmente é uma coisa hormonal cíclica, vulgo tensão pré-menstrual. Ora bolas, estou a utilizar linguagem médica e isso pode incomodar as pessoas. Pronto, desfaço-me em desculpas. Não quero incomodar ninguém. Médicos, esses cretinos convencidos! Vai um ‘toma’ para eles.
Vim agora do Monumental, de metro. Olha que surpresa, fui ao cinema com o cinéfilo 1. Quando entrámos na estação, perto da barreira de validação dos passes, eu estava empenhada em discutir o carácter do inventor do Facebook e devo ter demorado mais dois segundos do que o normal a colocar o meu passe no detector. Eis senão quando, ataca-me por trás (figurativamente) uma miúda cheia de atitude. Diz em som que se ouve: ‘OU FALAS, OU PASSAS!’. Intimidante, não? Passei. E esperei do lado de cá, pelo cinéfilo. Ele acobardou-se e deixou-a atravessar logo a seguir. Eu fiquei a olhá-la de propósito. Quanto passou por mim, ela fixou-me também e disse: ‘OBRIGADA’. Imaginem a quantidade de ironia que o ‘obrigada’ trazia… Pensei: ‘Quê? Mas por que raio esta tipa me está a tratar assim?!’
Fui atrás dela, agarrei-lhe no braço e dei-lhe um murro. Como nos filmes!
[Risos] É mentira. Como é óbvio.
Fiquei engasgada numa resposta que nunca saiu. Depois, fingi que não era nada (e não foi nada) e segui com a minha vida super interessante. O problema é que não desgrudei deste episódio. Na rua, queria dar um murro a toda a gente que passava. A cabeça começou a doer-me. Foi por isso que passei pelo Pingo Doce e comprei 4 ‘snickers’. Agora estou a escrever e vou publicar isso porque é a coisa mais patética que me ocorre fazer.
Na verdade, está a saber muito bem pôr tudo cá para fora. Devia ter feito o mesmo quando, no meu local de trabalho e à frente dos meus doentes, fui brutalmente humilhada por um enfermeiro. Provavelmente, porque sou uma nódoa em todas as dimensões que definem a vida real. Ou talvez apenas porque, num dia qualquer, eu estava noutra onda e não reparei que ele disse ‘Bom-dia’ e por isso não lhe retribuí. Nesse dia, ele veio atrás que mim e disse que eu era muito mal-educada. Eu acho que tentei justificar-me alegando que não tinha reparado, mas ele nunca engoliu essa desculpa . Na verdade, nunca partilhei isto com ninguém, porque é parvo. No dia em que ele me humilhou em toda a linha, passei grande parte do tempo de trabalho fechada na casa de banho, a chorar. Perdoem-me os contribuintes que pagam para isto! Sabem que mais, ele teve razão, eu medi a pressão arterial no braço que tinha o acesso vascular! E estraguei o acesso! Ora bolas, mais m#rd#s de medicina! Mil desculpas ao pessoal cool!
Também nunca disse que me incomoda ser atacada (figurativamente) por não ver, imagine-se, ‘A Casa dos Segredos’. Insinuarem que me acho melhor que os outros, uma snob, e ter de sorrir quando me atiram isso na cara, Meu deus! Fingir que está tudo ok, que isso não me magoa, Meu deus! E tantos outros sapos que tenho de engolir...
Tantos murros, pessoal, tantos murros por dar! E o primeiro, em cheio na minha face!
Até que enfim, estava a ver que não. Sai cá para fora miúda, atira à nossa cara aquilo que não gostas. Bolas, não sei se sabes mas ninguém é perfeito.
ResponderExcluirE momentos a chorar na casa de banho já todos tivemos. Dias inteiros mesmo. Humilhação no trabalho? Todos os que trabalham já passaram para isso.
O que fazer? Sofrer como o caraças no momento e seguir em frente e se te apetecer dar um murro dá, se te apetecer mandar alguém à m**** manda.Bolas, a vida é tua é tempo de a começares a viver.
Até que enfim sai algum grito, mesmo que seja escrito ou em snickers, daí. És humana, sabes?