Eu não desgosto das revisões listadas de final de ano. Ontem, estava a caminho da aldeia, de carro, a uma velocidade que ninguém acredita possível para alguém como eu, quando apanhei parte do programa radiofónico Cinemax, na Antena 1. Também eles andavam entretidos com listas. Listas de filmes. As orelhas arrebitaram-se-me logo. Não posso ouvir nada sobre cinema, «valha-me deus», que me apetece logo mandar uns ‘bitaites’! Eu que, na verdade, sobre filmes sei apenas este desejo de (re)encontrar-me com sensações não relatáveis. Que palavreado! Tanto... para dizer tão pouco.
Ontem fui à capital e só a abandonei depois de uma sessão de cinema no Saldanha. Sessão solitária, como todas, mesmo aquelas em que não fui sozinha. Visionei ‘L’illusionniste’ (‘O Mágico’), um cartoon à antiga, sem palavra a mais. E foi tão intimamente triste, que fiquei com pena de mim, de ser este o meu último filme de 2010. Claro que, se pensar bem, o espírito deste filme encaixa neste ano de vida real, o meu primeiro como assalariada da função pública. ‘O Mágico’ tem algo de belo e inocente e tem o oposto. Uma história cómico-trágica de como se vai ficando obsoleto – é a minha melhor tentativa de descrição. No final, ressenti-me do choque. Esqueci, por momentos, que não existem mágicos!
Mesmo assim, abandonei a capital com um sorriso. 2010 foi um ano de verdadeiro comprometimento com o cinema. Amigos, o cinema foi a minha única, ‘real’ relação, neste ano. Isto é ridículo. Sobretudo por ser verdade. Este facto deverá justificar o meu entusiasmo quando descobri que (este ano) houve um aumento das visitas dos Portugueses às salas de cinema. É tão bom ter companhia... Não julgo as motivações. Deixem-me viver no delírio de que o pessoal sente a mesma excitação que eu, quando assiste à projecção da película, no grande ecrã, na sala escura.
O 'Muito Bom' de 2010: 'Inception', de Christopher Nolan (em grande ecrã); 'Celda 211', de Daniel Monzón (em grande ecrã)
O 'Excelente' de 2010: 'Shutter Island', de Martin Scorsese (em grande ecrã); 'Mary and Max', de Adam Elliot (no laptop)
O 'Grande Lamento' de 2010: NÃO TER VISTO 'Mistérios de Lisboa', de Raoul Ruiz
Até para o ano, pessoal!
Acho engraçado isto: "a uma velocidade que ninguém acredita possível para alguém como eu".
ResponderExcluirPrimeiro: o alguém como tu é redundante. Para ti, ponto. Tu és uma pessoa e não fotocópia de outras.
Segundo: que ninguém acredita. Provavelmente ninguém acredita porque te esforças demasiado a esconderes-te dos outros e no que os outros esperam de ti. Tal como em Grey Street: há um mundo inteiro que tu um dia disseste que ia ser teu e agora não consegues sair do mesmo sítio. Porquê? Porque custa para caraças. Ganhar asas e voar pelo que queremos e não pelo que outros querem é uma luta terrível.
Mas é uma luta que vale a pena, que tem de ser feita. Porque tu mereces. Aquele venho dito de "Se estás mal muda-te." começa-me a parecer cada vez mais apropriado para ti (sem qualquer raiva, dito como uma amiga diz à outra)
A gozar com os meus truques linguísticos... e outras coisas imutáveis!
ResponderExcluirO problema de todas as filosofias de vida com que hoje nos deparamos é:
- Saber quando é para mudar ou quando é para nos aceitarmos como somos... ;)
Mas será que te estás a aceitar ou te estás a resignar?
ResponderExcluirE existe alguma diferença consistente entre 'aceitar' e 'resignar'?
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