domingo, 29 de novembro de 2009

O Berloque em si, por mim *

Todos nós alimentamos o nosso quê de sonhadores e, normalmente, é fácil sonhar com uma vida real num sítio longuíquo, não ao estilo dos contos de fadas mas ao estilo de fora de fronteiras. As séries, filmes, livros e eteceteras e tal dão-nos um pouco desse sonho. Em grande parte dos casos são vidas comuns que se focam na profissão, nas relações entre pessoas ou na vida de uma pessoa em particular e que exploram todo um imaginário que tende a dourar a pílula do que é a relidade (se não fosse assim também não valia a pena, não é? Ninguém se vai sentar em frente da televisão para ficar a pensar que a vida é uma m**** a não ser que seja masoquista.).
E é isso que se quer, sonhar. Pagamos bilhetes para ver um drama porque esperamos, no nosso íntimo, que no fim tudo se resolva mesmo que seja apenas alguns minutos antes do The End. Os romances que encontramos acalentam-nos o coração porque nos fazem acreditar que afinal o príncipe encantado não anda metido na cama com a Cinderela e anda por aí, alerta, à nossa procura. Os filmes de terror não são mais do que uma forma de exorcizar os nossos próprios fantasmas porque, em todos eles, há algum momento em que alguém se apaixona perdidamente enquanto foge a umas facadas, a menina bonita foge a todos os ataques (mesmo que vá parar ao hospital) e o assassino demoníaco é sempre apanhado e explicado (excepção feita para "Os pássaros" em que não há explicação mas no qual há o retornar de uma velha paixão).
E porque é que normalmente gostamos tanto de ler? Porque é que andamos com aqueles calhamaços metidos em malas ou a ocupar espaço na nossa mesa de cabeceira? E porque é que muitas vezes um filme nunca chega aos calcanhares do livro que nos deixou com a lágrima marota a querer fugir pela nossa cara abaixo? No livro uma das personagens (se não várias) acaba por sermos nós, porque nos identificamos ou porque queremos à força toda viver a história que ela vive ali, porque somos sonhadores e ali sonhamos sem horas para acordar. Mesmo quando se fecha o livro, quando se passa a última folha se a história for "Aquela" história vai continuar a ser alimentada em nós durante algum tempo. E é esse o encanto de tudo aquilo em que se foca este Berloque. O Berloque é definido como uma pequena joía de fantasia que se prende a uma pulseira ou corrente e o que é este cantinho do que uma descrição de pequenos momentos de fantasia que aparecem em tantos cenários da nossa vida e que nos embelezam um pouco os dias? Que muitas vezes nos deixam com um sorriso só porque sim, nos fazem pensar porque tinha mesmo de ser e nos fazem deixar cair uma lágrima porque a vida também é feita disso.

*falo só por mim, isto é este blog visto por mim. O porquê de eu escrever sobre séries, filmes, livros e tudo mais que me ocupa os tempos livres neste cantinho.
E pensar que vinha aqui para escrever sobre séries.


See you soon. :)

2 comentários:

  1. Waw! Pensei escrever um post semelhante, a explicar porque um mundo com 'berloques' (leia-se: filmes, séries, livros, espectáculos) tem mais piada. Pensei explicar que posso contar a história da minha vida através destas coisas insignificantes. Acabei por não o fazer ainda. Talvez um dia destes. Ou talvez nunca... De qualquer forma, a minha primeira vez nestas coisas dos blogs, só podia ser sobre 'berloquices'. A vida não tem assim tanta importância para se falar de coisas sérias. E, de resto, a maior parte da nossa existência é feita de ficção. Não é?

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  2. Estes berloques tornam-se parte constante na nossa vida, não é? Eu acho que é quase impossível passar uma série, filme ou seja o que for sem que pelo menos durante uns segundos pense que retrataram alguma fase da minha vida. E as coisas sérias...não interessam assim tanto. :)

    Beijinhos

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