sábado, 5 de dezembro de 2009

But then the morning comes, and we turn back into pumpkins, right? (*)

Estreou em 1995 e tinha 11 anos, nova demais para perceber fosse o que fosse do que aquele filme queria mostrar. Vi o filme uns aninhos mais tarde (não muitos embora não saiba quantos ao certo) numa noite de férias quando passou na RTP1. Nessa altura ainda passavam Filmes com F bem grande na televisão. Não apanhei o filme de início e, para ser sincera, demorei bastante tempo a entender o que era aquilo (não sei se culpa da idade ou da minha própria falta de inteligência no campo cinematográfico).
Mudei de canal poucos segundos antes de eles começarem a falar no comboio e só deixei ficar naquele canal porque quis saber mais, não sei porquê aquele filme não me parecia igual aos outros. E tinha razão, aquele era O filme.

Celine e Jesse conhecem-se com horas marcadas, aquela é a primeira e a última noite do seu romance. Com um oceano a separá-los na vida real vivem a "fantasia" de uma noite em Viena sabendo de antemão que será a última noite que estão juntos porque na manhã seguinte a vida real irá, inevitavelmente, chamar por eles. Saem do comboio no meio do impulso e Viena, a bela Viena, torna-se o palco da sua paixão e da sua descoberta. Autênticos estranhos apaixonam-se e descobrem-se naquela noite. Dois actores, 105 minutos de filme e uma história de amor que, na minha modesta opinião, puxa o tapete a muitos clássicos do romance. Romeu e Julieta não passam de meros fantoches ao pé destes dois.
Julie Delpy é Celine, a rapariga francesa. Ethan Hawke é Jesse, o americano com quem partilha a noite. Não há hotéis, motéis ou noites loucas de sexo desenfreado. Não há declarações lamechas pela iminente separação. Há apenas amor, paixão vivida por dois jovens que se conhecem ao mesmo tempo que vão conhecendo a cidade, que partilham experiência e conversa solta só porque é o que é natural. Aqui é impossível não nos emocionarmos ou não desejarmos ter alguém numa estação de comboio a marcar um encontro connosco para daí a seis meses.
A minha cena preferida é a do telefonema, quando cada qual telefona para um amigo a contar o que aconteceu entre eles.

Vi o filme sem saber o título e durante anos e anos fiquei a pensar "Será que eles voltaram a encontrar-se?" mesmo tendo noção da estupidez da pergunta, afinal era só um filme. Descobri o nome e o final desta história 9 anos depois com a estreia do "Antes do anoitecer" e descansei, porque afinal o amor encontra sempre o seu lugar mesmo que venha com atraso.

Este é o filme da minha vida. Esta é razão pela qual me apresento como Celine neste pequeno canto.


(*) Celine

Algumas frases do filme (por mim copiava o filme todo)

Celine: You know, I've been wondering lately. Do you know anyone who's in a happy relationship?
Jesse: Uh, yeah, sure. I know happy couples. But I think they lie to each other.
Celine: Hmf. Yeah. People can lead their life as a lie. My grandmother, she was married to this man, and I always thought she had a very simple, uncomplicated love life. But she just confessed to me that she spent her whole life dreaming about another man she was always in love with. She just accepted her fate. It's so sad.
Jesse: I guarantee you, it was better that way. If she'd ever got to know him, I'm sure he would have disappointed her eventually.
Celine: How do you know? You don't know them.
Jesse: Yeah, I know, I know. It's just, people have these romantic projections they put on everything. That's not based on any kind of reality.

Jesse: Would you be in Paris by now, if you hadn't gotten off the train with me?
Celine: No not yet. What would you be doing?
Jesse: I'd probably be hanging around the airport, reading old magazines, crying in my coffee cause you didn't come with me.
Celine: Aww... Actually, I think I'd probably have gotten off the train in Salsburg with someone else.
Jesse: Oh, yeah? Oh, I see. So, I'm just that dumb American momentarily decorating your blank canvas.
Celin: I'm having a great time.
Jesse: Really?
Celine: Yeah.
Jesse: Me too.

Adoro a simplicidade deste diálogo, na forma como mostra que se sentem à vontade um com outro e como não é preciso este mundo e o outro para se mostrar o quanto se gosta. Simplesmente sente-se.

Acima de tudo vejam o filme, não há palavras que o descrevam.

See you soon. :)

(Possivelmente esta será a minha última crítica cinematográfica. Vou virar-me para os livros, músicas e séries... :))

2 comentários:

  1. Gostei muito deste post (e não estou a dizer isto para ser agradável, porque sei que ainda estás um bocado chateada com a minha apreciação do 'new moon'). Gostei mesmo. Nota-se o afecto que tens pela película.

    Já vi algumas cenas do filme de que falas ('Before Sunrise' (1995), de Richard Linklaker), mas nunca na totalidade. Sempre que passa na televisão, descubro mais um bocadinho. Mas nunca consegui vê-lo do princípio ao fim, sem interrupções. De qualquer forma, também me impressionou a qualidade dos diálogos.

    Em 2004, nove anos depois do primeiro filme, saiu a sequela ('Before Sunset'). Desta última fita, apenas vi as cenas finais.

    Não sei se o final perfeito para este par seria o reencontro... Acho que a sua relação foi perfeita porque teve a duração de um momento. E, já que também usaste a expressão 'vida real', no teu post, deixa-me acrecentar o seguinte: tudo o que dura mais de um momento na 'vida real', tende a mostrar-se muito complicado. Acho eu...

    Ah, acho que o blog teria muito a perder se deixasses de comentar cinema. Por favor, não faças isso. Por favor.

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  2. Na vida real é tudo mais complicado e é óbvio que uma história destas na vida real não era nada disto mas é esse o encanto do cinema: deixa-nos sonhar. E acho que a sequela do filme aquece-nos o coração, dá-nos um pouco de esperança no campo amoroso (para ser sincera contigo acho que o campo amoroso é dos mais complicados que existem)e gosto muito do final quando ele simplesmente diz que sabe que vai perder o avião,não é preciso dizer mais nada.
    Sabes que sou uma romântica prática na vida real (ou seja não sou de lamechices e coisas do género) e este final faz acreditar que o amor está sempre lá e basta um olhar para o recuperar, percebes? Mas não me leves por ingénua, sei perfeitamente que a vida real não é nada assim...nem lá perto.

    Mas vê o primeiro filme, pode não ser a "tua onda", nem aquele enredo brilhante que procuras nos filmes que vês mas digo-te que é impossível que parte de ti não se apaixone por algum momento. E os diálogos são dos mais bem conseguidos que já vi no cinema (se bem que tu vês o triplo dos filmes que vejo).

    Para mim este filme não um romance, nem um drama, nem nada disso...é simplesmente uma história com todas essas facetas tal como todas as boas histórias são. :)

    E minha tonta é óbvio que não estou chateada contigo porque aceito a tua opinião do New Moon e concordo: não é um filme brilhante mas eu já ia preparada para isso, não esperava nada como o primeiro. Mas assumo que gostei muito do filme e aceito a tua opinião. Estava apenas a meter-me contigo. ;)

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