sexta-feira, 5 de março de 2010

Fim da tarde

Fecha os olhos (não, não é a Vodafone Sound Experience). Fecha, sem medos. Agora vai até ao teu lugar seguro, o lugar que te faz genuinamente feliz. (*)Podes confiar em mim. Imagina que te sentes feliz, imagina mesmo até que sintas essa felicidade como real naquele ponto em que sorris sem sequer pensar no assunto, sem que nada de divertido se passe à tua volta. Agora diz-me: como é a música que ouves?
A minha são todas simples.(**) Não há uma música complicada que me faça sentir genuinamente feliz e relaxada: como se chegasse ao meu porto de abrigo. Hoje redescobri um dos cantores/escritores que me fazem sentir assim, que sem artimanhas ou versos complicados me consegue fazer fechar os olhos e sorrir, que me deixa arrepiada com a música perfeita. É uma canção simples, todas elas o são, tornando-se cenário perfeito para mim. Sem medos, sem os lados errados sem os momentos em que quebramos os dois (ou os três ou acabamos por quebrar sozinhos). Nada disso. Aquele é o meu momento, são os meus laços: um momento egoísta.
Gosto de músicas assim, gosto da vida assim: simples. Não sou mais que os outros, o meu mundo não é mais do que o teu mundo ou qualquer outro mundo. Mas gosto da simplicidade: a intimidade da carta que não resistiu à velocidade do e-mail; a praia ao final do dia; o manto de folhas amarelas a anunciar o outono; a simplicidade do livro; o meu silêncio; os momentos só meus. Tudo isto me faz sorrir só porque sim, tal como a música simples.
Tiago Bettencourt, ex-vocalista dos Toranja, tem o talento de escrever textos lindos e conseguir juntar a isso uma melodia bonita, tocante mesmo, sem precisar de meia dúzia de instrumentos diferentes, solos de bateria e vozes estridentes para fazer com que resulte. Não. A matéria prima é tão boa que não precisa de mais, vale por si própria. Um trabalho de qualidade que não é reconhecido o sufiente, que passa despercebido nas rádios e que apenas é relembrado quando se diz que "saudade é o ar que vou sugando e aceitando, como fruto do verão dos jardins do teu beijo" mas que é muito mais que isso.
Conselho: escolhe umas quantas (o Relativamente Feia não conta para este exercício) coloca o ambiente à tua medida e agora aproveita a música: fecha os olhos, saboreia as palavras e os acordes, deixa-te ir envolto no teu próprio silêncio. Já estás a sorrir?

"Amei-te do lado errado do coração"





E agora OffTimeGirl: que tal a Alice? :)

(*) não, não aderi a nenhum culto estranho.

(**) sim, o português está incorrecto.

See you soon. :)

Um comentário:

  1. O estado de espírito que sugere o teu post não me é totalmente desconhecido. De qualquer modo, a felicidade pode ser um lugar estranho.

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