quinta-feira, 22 de abril de 2010

Há dias assim

Houve um dia na semana passada em que juro que soube a definição de ‘mau filme’ com uma clareza brutal. Aconteceu ainda enquanto passavam o 3D ‘Clash of the Titans’, de Louis Leterrier, e tudo ficou claríssimo depois de terminarem a projecção. O facto que ser um ‘remake’ já deve deixar um céptico de pé atrás. Mas, meus amigos, não tem nada a ver com isso, na verdade. (Eu nem sequer vi o original de 1981.) Tem a ver com: os deploráveis diálogos, as péssimas interpretações, as cenas e os efeitos (mal) copiados… Por que raio de tolos nos tomam!? Querem entreter anecéfalos? Não tem ponta!



Houve um dia, talvez hoje, em que enganei o pica-ponto e saí mais cedo. Não me deixei sentir só. Há demasiadas histórias a acontecerem na minha imaginação. Fui curtir o grande ecrã do Monumental, porque agora que tenho um cartão de cinema as razões para estar lá multiplicaram-se. Vi um filme por conveniência e também porque sim. Juntei mais uma história à lista incontável daquelas que não me lembro. ‘I love you, Phillip Morris’, de Glenn Ficarra e John Requa.
Uma vantagem de não ter ninguém no banco ao lado é não ter de estar a fazer um esforço para não chorar. É que o cinema pode ser o sítio ideal para chorar e chorar faz optimamente à saúde, dizem. Está bem, agora vão pensar que eu sou uma rapariga de lágrima fácil. Não sou. Sou até bem fria! Bem, pior do que isso é alguém ficar com a ideia de que este é um filme para chorar. Não é. Primariamente, é uma comédia, acho. Mas, curiosamente, como comédia, não me pareceu muito valioso. Agora, a história, sim senhor, surpreendente. Claro que muito boa gente diria ‘muito parva’. Paciência. Jim Carrey, no seu estilo, não desaponta aqueles que, como eu, o acham fenomenal.



Houve um dia nesta semana em que ao acordar, acordei deveras. Quero dizer, dei de caras comigo a acordar para mais um dia de trabalho na função pública, imbuída do desejo de continuar a dormir, mas impulsionada pela força sobre-humana da rotina semanal. E, durante o caminho, foi claro que estava tudo errado. Se fosse num filme, esse momento teria sido uma epifania, um vislumbre da verdade que mudaria o curso da minha existência para sempre. Afinal, como não é um filme, passou. Se não tivesse passado; mau, muito mau! Manicómio era destino certo, com um diagnóstico sofisticado de surto psicótico.

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Não sei se serás assim tão fria como te queres mostrar. Não sei se a dúvida seria considerada, assim com tanta facilidade, caso de manicómio. Penso que se assim o fosse não havia ninguém nas ruas.

    A dúvida não é mais (para mim) do que a certeza que consegues ver mais do que o dia-a-dia te impõe.

    Ou talvez eu seja demasiado loira...tudo é possível. :)

    (tinha um erro por isso é que apaguei, sou capaz de ter mais mas aquele era mesmo mau... :))

    ResponderExcluir
  3. Olá, apenas agora vi o teu comentário.

    Imagina que um dia eu acordava e dizia:

    'Não vou mais trabalhar! Só horrivelmente infeliz e não posso continuar a desperdiçar minutos de vida! Acabou-se!'

    Óbvio que havia logo quem atirasse:

    'Estás doida!'

    Talvez alguém desse o benefício da dúvida e perguntasse:

    'Ok, mas então o que queres fazer?'

    E NESSA ALTURA EU PERMANECERIA EM SILÊNCIO.

    Então, até essa pessoa que me dera o benefício da dúvia iria dizer:

    'Estás doida!'

    E, em pânico, eu iria CEDER:

    'Ora, estava a brincar!'

    ResponderExcluir