sábado, 22 de maio de 2010

Guerras

Há três meses, para espanto de alguns (eu incluída), ‘Hurt Locker’, em Portugal conhecido por ‘Estado de Guerra’, ganhava o Óscar de melhor filme. Eu contava com a vitória dos avatares de Cameron e, por isso, naquela manhã de segunda-feira pós-Óscares, experimentei vários sentimentos antagónicos. Se ganhasse ‘Avatar’, tinha planeado uma forma de trucidar o júri de Hollywood; mas não ganhou… Houve alívio por não terem cedido à pressão do espectáculo hiperbolizado e da tecnologia desmedida; contudo esse alívio foi incapaz de esconder a dúvida em relação à qualidade verdadeiramente superior do vencedor escolhido. Inegável, ‘Hurt Locker’ era um bom filme, mas não era um filme excelente.



Estava, há três meses, tal com estou hoje, muito longe de alguma vez perceber todos os critérios de escolha de um vencedor da Academia de Hollywood; mas à medida que vou conhecendo mais cinema para lá do gigante americano, menos importante me parece compreender as suas escolhas. Há duas semanas, visionei ‘Lebanon’ (filme Israelita e não só), de Samuel Maoz, que, tal como ‘Hurt Locker’, é uma espécie de drama de guerra. Embora seguramente menos explosivo que este último, ‘Lebanon’ mostrou mais intensidade e mais lirismo no cenário de guerra que qualquer outro filme recente do género. No final, não me contive e, em voz alta, saiu-me: Este foi muito melhor do que o vencedor dos Óscares, não foi?!

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