De um modo prático, a arte subentende ‘estética’, isto é, beleza intrínseca, que se sente, mas dificilmente se define, e ‘significado humano’, que é uma coisa que não sei explicar. Entenderam?

A propósito de ‘arte’, foi espantoso ler as palavras de Marco Martins, na sua entrevista à Premiere, quando confrontado com o facto de o seu novo filme, ‘Como desenhar um círculo perfeito’, ser «escuro» e «sombrio». Respondeu que isso acontecia porque a história se passava sobretudo no espaço de duas casas; no interior das pessoas e no interior das casas. Tudo bem, até aqui. Mas, depois, Marco Martins acrescentou algo que me ajudou a entender melhor essa definição impossível (que é a ‘arte’). Ele disse: «(…) tem a ver com a minha estética. Não gosto muito de sol. Não é uma coisa com que me identifique.» Passo a explicar, ao utilizar este discurso egoísta, «minha estética», senti de imediato que o realizador criara algo que é uma extensão de si próprio, que o define em sentido estrito e define a Humanidade no sentido lato. Estas palavras de Marco Martins deram sentido ao vazio e enfado que senti durante e após o visionamento do filme. No momento, tive dúvidas, mas agora sei (com a cabeça e com as vísceras) que ‘Como desenhar um círculo perfeito’ é um objecto artístico único sobre o constrangimento dos sentimentos de se escondem por detrás das insinuações do real. E a obsessão desses sentimentos! Ah, e aquela falta de luz, que também se percebia no filme ‘Alice’, do mesmo realizador, é porque ‘ele’ não gosta muito de sol…
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