sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Foi o Verão (parte 1)

Jorge Paixão da Costa disse, na sua crónica 'Memórias do Cinema', na Premiere deste mês: “Sempre que terminam as férias sou assolado por um sentimento nostálgico de que preciso de férias.”. Eu percebo-o. Sobretudo agora que sou assalariada e sujeita às regras da função pública. Ano diferente este em que tive de acordar às 7:40 nos soalheiros dias de Agosto e encarar uma cidade despida e mole! Diferente… Mesmo assim, as férias que não tive andaram a pairar na minha cabeça. Acho que o mês de Agosto tem esse efeito nas pessoas. O espírito do descanso paira. Envolve-nos. Creio mesmo que permanece até surgirem as primeiras formas de publicidade a artigos escolares. Entretanto, o regresso às aulas acaba por marcar até aqueles que já não têm de regressar. Em Setembro, regressamos todos a qualquer coisa. Ou, pelo menos, temos vontade de o fazer.

Este post sou eu a regressar aos meus escritos sobre cinema. Lamento o que fui deixando por dizer. Como é óbvio, o calor e o espírito do descanso não prejudicaram a minha voracidade cinematográfica. As salas foram por mim visitadas com uma regularidade impressionante, mas tal devoção foi escassamente compensada. Provavelmente, esse é o motivo do decréscimo de produção de escritos. De todo o modo, há certas películas que não merecem ficar esquecidas. As próximas palavras são-lhes dedicadas.



‘Mother’, na versão original coreana ‘Madeo’, de Joon-ho Bong, foi uma aventura alternativa estupenda que teve lugar ali no final da Primavera/princípio do Verão. É a história deliciosamente retorcida de uma mãe disposta a tudo para provar a inocência de seu filho. Uma perspectiva distante de tudo o que já se viu sobre os contornes únicos do amor materno.



‘Vincere’, de Marco Bellocchio, merece referência e recomenda-se. Visionei-o em… já nem ser dizer quando! Categorizado como drama histórico, conta a história de Ida Dalser, amante e quiçá primeira esposa de Benito Mussolini. É um filme cheio! Pleno! Bem dirigido e bem interpretado. Teatral, sim, mas não artificial. Foi um oásis refrescante, em italiano.



‘The Ghost Writer’, o mais recente thriller de Roman Polanski (o condenado), tem interesse, apesar de distante das expectativas por mim criadas. A principal razão porque desenterro este filme do Verão árido de 2010 chama-se Olivia Williams. Esta actriz britânica tem um desempenho sublime no papel de esposa de um ex-Primeiro Ministro britânico que pretende publicar as suas memórias. Já tinha ficado de olho no seu talento ao observar a sua participação na série ‘Dollhouse’, de Joss Whedon, mas esta interpretação deixou-me embasbacada.



(Continua…)

Um comentário:

  1. As tuas expectativas também saíram furadas em relação ao "Escritor Fantasma" mas foste ver e encontraste algo de bom. Tal como eu no "Contraluz" E que tal dar a hipótese ao cinema português?

    Não vi nenhum dos filmes, não posso comentar. Continuo muito pelos comerciais, blockbusters que toda gente vê e a verdade é que me ando a divertir muito no cinema e a tirar um gozo enorme. Mesmo que sejam blockbusters.

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