Factos são factos. Mas não quero discutir a realidade. Regresso para completar a minha revisão cinematográfica do Verão quente e agridoce. Dos filmes mais ou menos bons, não falo. Quanto aos medíocres, já nem sei em que canto do meu cérebro se foram esconder.

Lembro-me da animação Toy Story 3. Sequela compatível e robusta, com toda a lamechice e moral da herança Disney e a técnica exímia da animação digital da Pixar. Rendemo-nos, eu e a solidão que se sentou na cadeira ao meu lado, ao luxo do simples e ao alívio de não haver nada escondido.

Claro, o Nolan trouxe ‘Inception’ e eu, vulnerável desde ‘Matrix’ a estes argumentos surrealistas, deixei-me deslumbrar. Revela alguma inocência, remenescências de conflitos mentais de outros tempos, o gosto pela exploração dos limites da inteligência humana, se bem que o potencial imenso do argumento tenha sido parcialmente esmagado pelo puro espectáculo gráfico e acção sem limites. Ainda assim, é um facto que não censuro.

‘The box’, de Richard Kelly, que dirigiu também o filme ‘Donnie Darko’ (2001), estreou em Portugal muito tempo depois de ter passado nos Estados Unidos. Na verdade, não trago ‘The box’ a este texto por ser um filme em destaque, trago-o porque é uma oportunidade de relembrar «Donnie», esse sim um cliché de filme?! (‘Filme Ponto de Interrogação Ponto de Exclamação’), ou seja, como expliquei há muitos posts atrás, filme cujo argumento me perturba (visceralmente) por sentir que me é impossível de todo abarcar toda a verdade que dele emana. Embora ‘The box’ tenha um argumento que em certos instantes nos evoque algo mais, por motivos que não pode ser só o inacreditável erro de casting (Cameron Diaz), o resultado final está a anos-luz do maravilhoso ‘Donnie Darko’.

Um dos mais interessantes filmes de interpretação da temporada quente, chegou a Portugal a 2 de Setembro. ‘Brothers’, de Jim Sheridan, um remake do filme dinamarquês ‘Brødre’, de Susanne Bier. É um bocado triste que os filmes europeus apenas cheguem a Portugal depois de (re)feitos por americanos. Enfim, é muito bem interpretado, sobretudo por Tobey Maquire (o homem-aranha). Só por isso merece atenção.

Curiosamente, o melhor filme de todo o Verão é uma película suéca de 2003 que o Monumental teve a brilhante ideia de voltar a passar nas suas salas. ‘Saraband’, de Ingmar Bergman. Uma obra genialmente construída, de intensidade progressiva, que mostra tudo, sem precisar de mostrar o que estamos fartos de ver e já não faz diferença. Culmina naquele ‘toque’, seguido daquele ‘olhar’, que ainda neste momento me deixa perplexa. Só de pensá-lo…
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