segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Celine...nota por nota

25 anos. 1/4 de século e outro tanto de memórias associadas ao que a vida tem de bom: a arte. Comecei a ouvir música ainda pequena, conta a minha mãe que ainda mal sabia falar e já reconhecia os primeiros acordes de "Nikita" aos quais respondia com um entusiasmante "Oh, oh...à pai!" (esta é uma das músicas preferidas do meu pai). Na realidade é fácil ouvir música em minha casa, seja acordar ao fim-de-semana com a minha mãe a ouvir os cd's dela e os meus (sim, temos gostos em comum) ou eu a tomar banho com a aparelhagem alto e bom som. A música talvez seja uma das maiores contantes da minha vida. Disfruto da música por si só, pelo que ela me faz sentir e são raras as vezes que a associo a pessoas ou acontecimentos. Sou extremamente egoista com a música.


Gosto de chegar ao final do dia e sentar-me sozinha com um dos meus cd's no leitor e desfrutar o momento: eu, a música e a sensação de descanso. Aprendi a aproveitar a minha companhia e a música tornou-se indispensável para isso, aprendi a ser mais feliz assim e a gostar mais de mim. A independência não é má, é apenas o ponto de partida para relações mais saudaveis com os outros. A música é de todos mas estas são só minhas, independentemente de alguém achar que devem ser partilhadas. Sou egoísta aqui e disso não abro mão.


  1. "Nowhere Fast", Fire Inc. (1984) Faz parte da banda sonora do filme "Estrada de Fogo". Um clássico de anos 80 com tudo o que isso implica (leia-se: não é um filme brilhante) mas tem uma música fantástica. Daquelas que nos faz saltar e cantar.




  2. "Fly me to the moon", Frank Sinatra (1964) O primeiro título foi "In other words", não pegou e ficou conhecida como fly to the moon até que foi "obrigada"a mudar o nome oficialmente. Uma das músicas mas bonitas que existem na voz de um dos cantores mais talentosos do mundo. Sim, sou uma vendida ao Frank "Blue Eyes" Sinatra.



  3. "Grey Street", Dave Matthews Band (2002) Conheci DMB no secundário, por volta do 11º ano se não estou em erro, como o cd "Under the table and dreaming" e fiquei fascinada com o trabalho, sem falhas, de um grupo que se nota a léguas que tem prazer em tocar. De letras fascinantes a arranjos impressionantes passando por concertos que são autênticas Jam Sessions esta é uma banda por completo.




  4. "Let it Be", Beatles (1970) Lembro de ouvir desde sempre esta música. A minha mãe adora Beatles e esta traz-me sensações muito boas quando a oiço. Sinto-me bem, com força...independentemente do que virá as nossas forças são sempre inesgotáveis. So let it be...



  5. "Englishman in New York", Sting (1987) E é Sting. Não há muito mais a dizer além de que me fascina o trabalho dele. Músicas que ficam no ouvido, que se tornam nossas em poucos minutos... Esta tem um solo de sax-soprano que encaixa na música com a maior perfeição. Recentemente foi alterado para um solo de clarinete só aí tiro o chapéu ao senhor Sting e rendo-me a todas evidências. Este senhor tem um bom gosto estonteante.



  6. "Tweenty Something", Jamie Cullum (2003) I'm still having fun and I guess that's the key. I'm a twenty something and I'm just keeping me. Mais palavras para quê?



  7. "Hold On", versão de Everly (2009) Descobri as Everly pelo One Three Hill e esta versão é fantástica talvez pela cumplicidade delas. Não está gravada, foi só uma brincadeira que fizeram e foi parar ao Youtube, mas por brincadeira não deixa de ser boa.



  8. "Xácara das Bruxas Dançando", Trovante (1984) Andei anos convencida que isto se chamava Caravelas depois descobri porque é que nunca encontrava a música. Os Trovante mostram que a música para ser realmente portuguesa não precisa de ser exclusivamente fado.



  9. "Lados Errados", Toranja (2003) Pouco conhecido mas com uma profundidade de letra muito acima do normal. Um óptimo grupo que, de um momento para o outro, deixou de existir. Ficam as músicas...e que músicas.


  10. "Thriller", Michael Jackson (1982) Tinha um medo terrível do videoclip mas via até ao fim. Tinha um pouco falta de juízo o senhor, sim, mas era um artista e tanto. Esta é a prova disso. And it's Thrilleeeeer, thriller night!!!

  11. "Lover Lay Down", Dave Matthews Band (1994) Esta foi a música que me fez apaixonar por DMB, toca-nos bem no fundo e faz-nos sentir tão bem.
  12. "These boots were made for walking", Legendary Tigerman feat. Maria de Medeiros (2010) A voz de Maria de Medeiros dá um tom sensual a esta música e conseguiram renová-la sem cair em excessos ou tornarem-se patéticos. Muito boa esta versão.
  13. "Dance me to the end of love", Leonard Cohen (1984) O homem que não canta: fala. Comprei o cd para o meu pai à muito anos mas foi mais tarde, já na adolescência, que o fui descobrir com calma. Uma voz rouca, sensual e que dá a sensação de estarmos a ouvir esta música num quarto escuro com a luz de uma vela num ambiente entre o decadente/sensual/boémio. Pena não se retirar dos palcos antes de a sua voz entrar em decadência.
  14. "I won't dance", Michael Buble and Jane Monheit (?) Uma versão descontraída e que nos faz querer dançar como nos anos 50. A voz de Jane Monheit é simplesmente encantadora.
  15. "The Book of My Life", Sting (2004) Gosto de letras que sejam sinceras e que exponham a vida como ela é (ou quase). It's the book of my days, it's the book of my life/And it's cut like a fruit on the blade of a knife/And it's all there to see as the section reveals/There's some sorrow in every life

See you soon :)

3 comentários:

  1. Como seria de esperar, não conheço tudo. Para ser totalmente sincera, conheço pouco. Felizmente, estou em férias de final de ano e posso explorar melhor cada post. Este post merecia ser explorado. Foi o que fiz, durante alguns minutos.

    Fiquei muito impressionada com 'Grey Street'. Senti-me como se me tivessem lido os pensamentos:


    «(...)She thinks, "Hey, how did I come to this?"
    I dream myself a thousand times around the world
    But I can't get out of this place.

    There's an emptiness inside her
    And she'll do anything to fill it in(...)»


    NOTA: Dizes, nos primeiros parágrafos, várias coisas que podem ser (doentiamente) analisadas. Em relação ao egoísmo, digamos que sou céptica. Às vezes, acredito que 'Ser Humano é ser eoísta'. Às vezes, não conheço outra forma de Ser Humano! Podes pensar que estou a aplicar, neste contexto, uma a definição mais benévole de egoísmo. Mas não. Egoíta: aquele que pensa «apenas» em si próprio.

    E não estou a dizer que não pensamos nos outros. Claro que pensamos. E preocupamo-nos. E queremos partilhar coisas. Mas tudo o que cada um de nós faz tem sempre a ver com cada um de nós. Porque, aos nossos olhos, os outros nunca serão o que são realmente (se é que existe tal realidade absoluta), mas sim o que significam para nós. Tudo o que o Ser Humano faz é exclusivamente pessoal. Estamos presos à nossa visão do Mundo, condenados ao egoísmo.

    A arte, digamos, é o cúmulo do egoísmo.

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  2. Somos egoístas sim! Eu sou aquela que diz que os relacionamentos são contra-natura devido ao nosso egoísmo. Mas aprendemos a moldar o egoísmo a certos aspectos porque os relacionamentos são essenciais. O meu maior egoísmo é a música e o facto de não a partilhar com momentos, é minha! :)

    Grey Street é uma chapada sem mão, não achas? Adoro.

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  3. 'Grey Street' para mim, expõem, sem espinhas, a verdade sobre tanta gente normal, aparentemente satisfeita e acomodada: A FRUSTRAÇÃO.

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