25 anos. 1/4 de século e outro tanto de memórias associadas ao que a vida tem de bom: a arte. Comecei a ouvir música ainda pequena, conta a minha mãe que ainda mal sabia falar e já reconhecia os primeiros acordes de "Nikita" aos quais respondia com um entusiasmante "Oh, oh...à pai!" (esta é uma das músicas preferidas do meu pai). Na realidade é fácil ouvir música em minha casa, seja acordar ao fim-de-semana com a minha mãe a ouvir os cd's dela e os meus (sim, temos gostos em comum) ou eu a tomar banho com a aparelhagem alto e bom som. A música talvez seja uma das maiores contantes da minha vida. Disfruto da música por si só, pelo que ela me faz sentir e são raras as vezes que a associo a pessoas ou acontecimentos. Sou extremamente egoista com a música.
Gosto de chegar ao final do dia e sentar-me sozinha com um dos meus cd's no leitor e desfrutar o momento: eu, a música e a sensação de descanso. Aprendi a aproveitar a minha companhia e a música tornou-se indispensável para isso, aprendi a ser mais feliz assim e a gostar mais de mim. A independência não é má, é apenas o ponto de partida para relações mais saudaveis com os outros. A música é de todos mas estas são só minhas, independentemente de alguém achar que devem ser partilhadas. Sou egoísta aqui e disso não abro mão.
- "Nowhere Fast", Fire Inc. (1984) Faz parte da banda sonora do filme "Estrada de Fogo". Um clássico de anos 80 com tudo o que isso implica (leia-se: não é um filme brilhante) mas tem uma música fantástica. Daquelas que nos faz saltar e cantar.
- "Fly me to the moon", Frank Sinatra (1964) O primeiro título foi "In other words", não pegou e ficou conhecida como fly to the moon até que foi "obrigada"a mudar o nome oficialmente. Uma das músicas mas bonitas que existem na voz de um dos cantores mais talentosos do mundo. Sim, sou uma vendida ao Frank "Blue Eyes" Sinatra.
- "Grey Street", Dave Matthews Band (2002) Conheci DMB no secundário, por volta do 11º ano se não estou em erro, como o cd "Under the table and dreaming" e fiquei fascinada com o trabalho, sem falhas, de um grupo que se nota a léguas que tem prazer em tocar. De letras fascinantes a arranjos impressionantes passando por concertos que são autênticas Jam Sessions esta é uma banda por completo.
- "Let it Be", Beatles (1970) Lembro de ouvir desde sempre esta música. A minha mãe adora Beatles e esta traz-me sensações muito boas quando a oiço. Sinto-me bem, com força...independentemente do que virá as nossas forças são sempre inesgotáveis. So let it be...
- "Englishman in New York", Sting (1987) E é Sting. Não há muito mais a dizer além de que me fascina o trabalho dele. Músicas que ficam no ouvido, que se tornam nossas em poucos minutos... Esta tem um solo de sax-soprano que encaixa na música com a maior perfeição. Recentemente foi alterado para um solo de clarinete só aí tiro o chapéu ao senhor Sting e rendo-me a todas evidências. Este senhor tem um bom gosto estonteante.
- "Tweenty Something", Jamie Cullum (2003) I'm still having fun and I guess that's the key. I'm a twenty something and I'm just keeping me. Mais palavras para quê?
- "Hold On", versão de Everly (2009) Descobri as Everly pelo One Three Hill e esta versão é fantástica talvez pela cumplicidade delas. Não está gravada, foi só uma brincadeira que fizeram e foi parar ao Youtube, mas por brincadeira não deixa de ser boa.
- "Xácara das Bruxas Dançando", Trovante (1984) Andei anos convencida que isto se chamava Caravelas depois descobri porque é que nunca encontrava a música. Os Trovante mostram que a música para ser realmente portuguesa não precisa de ser exclusivamente fado.
- "Lados Errados", Toranja (2003) Pouco conhecido mas com uma profundidade de letra muito acima do normal. Um óptimo grupo que, de um momento para o outro, deixou de existir. Ficam as músicas...e que músicas.
- "Thriller", Michael Jackson (1982) Tinha um medo terrível do videoclip mas via até ao fim. Tinha um pouco falta de juízo o senhor, sim, mas era um artista e tanto. Esta é a prova disso. And it's Thrilleeeeer, thriller night!!!
- "Lover Lay Down", Dave Matthews Band (1994) Esta foi a música que me fez apaixonar por DMB, toca-nos bem no fundo e faz-nos sentir tão bem.
- "These boots were made for walking", Legendary Tigerman feat. Maria de Medeiros (2010) A voz de Maria de Medeiros dá um tom sensual a esta música e conseguiram renová-la sem cair em excessos ou tornarem-se patéticos. Muito boa esta versão.
- "Dance me to the end of love", Leonard Cohen (1984) O homem que não canta: fala. Comprei o cd para o meu pai à muito anos mas foi mais tarde, já na adolescência, que o fui descobrir com calma. Uma voz rouca, sensual e que dá a sensação de estarmos a ouvir esta música num quarto escuro com a luz de uma vela num ambiente entre o decadente/sensual/boémio. Pena não se retirar dos palcos antes de a sua voz entrar em decadência.
- "I won't dance", Michael Buble and Jane Monheit (?) Uma versão descontraída e que nos faz querer dançar como nos anos 50. A voz de Jane Monheit é simplesmente encantadora.
- "The Book of My Life", Sting (2004) Gosto de letras que sejam sinceras e que exponham a vida como ela é (ou quase). It's the book of my days, it's the book of my life/And it's cut like a fruit on the blade of a knife/And it's all there to see as the section reveals/There's some sorrow in every life
See you soon :)
Como seria de esperar, não conheço tudo. Para ser totalmente sincera, conheço pouco. Felizmente, estou em férias de final de ano e posso explorar melhor cada post. Este post merecia ser explorado. Foi o que fiz, durante alguns minutos.
ResponderExcluirFiquei muito impressionada com 'Grey Street'. Senti-me como se me tivessem lido os pensamentos:
«(...)She thinks, "Hey, how did I come to this?"
I dream myself a thousand times around the world
But I can't get out of this place.
There's an emptiness inside her
And she'll do anything to fill it in(...)»
NOTA: Dizes, nos primeiros parágrafos, várias coisas que podem ser (doentiamente) analisadas. Em relação ao egoísmo, digamos que sou céptica. Às vezes, acredito que 'Ser Humano é ser eoísta'. Às vezes, não conheço outra forma de Ser Humano! Podes pensar que estou a aplicar, neste contexto, uma a definição mais benévole de egoísmo. Mas não. Egoíta: aquele que pensa «apenas» em si próprio.
E não estou a dizer que não pensamos nos outros. Claro que pensamos. E preocupamo-nos. E queremos partilhar coisas. Mas tudo o que cada um de nós faz tem sempre a ver com cada um de nós. Porque, aos nossos olhos, os outros nunca serão o que são realmente (se é que existe tal realidade absoluta), mas sim o que significam para nós. Tudo o que o Ser Humano faz é exclusivamente pessoal. Estamos presos à nossa visão do Mundo, condenados ao egoísmo.
A arte, digamos, é o cúmulo do egoísmo.
Somos egoístas sim! Eu sou aquela que diz que os relacionamentos são contra-natura devido ao nosso egoísmo. Mas aprendemos a moldar o egoísmo a certos aspectos porque os relacionamentos são essenciais. O meu maior egoísmo é a música e o facto de não a partilhar com momentos, é minha! :)
ResponderExcluirGrey Street é uma chapada sem mão, não achas? Adoro.
'Grey Street' para mim, expõem, sem espinhas, a verdade sobre tanta gente normal, aparentemente satisfeita e acomodada: A FRUSTRAÇÃO.
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